Os educadores cristãos são espécimes que estariam em via de extinção se não fossem as loucuras do evangelho. Semanalmente, um grupo anônimo de heróis e heroínas desafia o jeitinho cultural, a lógica e as estatísticas. Apesar de a Igreja sofrer o reflexo dos problemas que a educação enfrenta neste país, acrescido do fato de que os educadores são em sua maioria voluntários, além do que a educação cristã pouco se presta a preparar alguém para o mercado de trabalho, há educadores obstinados que seguem tirando água de pedra.
Se os desafios externos são imensos, os internos não são menores: falta apoio, incentivo e reconhecimento aos professores; sobram, porém, críticas e cobranças. Nem é bom falar que muitos alunos exigem educação de qualidade, mas não têm o mínimo de compromisso... também escolas bíblicas são gratuitas e não reprovam mesmo (ou reprovam?).
Se não bastasse este diagnóstico (e olha que sou obrigado a ser superficial), há um aspecto que tem me incomodado. Atualmente, o verbo lembrar (recordar) tem saltado aos meus olhos em minhas leituras das Escrituras e aumentado minha crise com a educação. Crise justificada porque sou tentado a buscar na relevância e reconhecimento a dose de motivação para seguir em frente. Como educador, encontrava na informação e transmissão uma rara âncora de motivação. No entanto, para meu desespero, começo a perceber que nossa grande tarefa e motivação não estão nisso, temos uma tarefa bem mais modesta: lembrar nossos “alunos” o que já sabem. Talvez, isto nos lembre da pedagogia de Sócrates, o sábio que rejeitou a ideia de que ensinar seja um encher as mentes como se fossem depósitos.
Na realidade, educar é mediar o conhecimento, é fazer aflorar o que está encoberto. É assim que Moisés interpreta a pedagogia do deserto (cf. Dt. 8: 2,11,14,18,19) . Por isso também, Paulo não se importava de escrever sempre as mesmas coisas (Fp. 3:1) já que era segurança para seus discípulos. Pedro, em sua segunda carta (1:12-15) evidencia isto de forma eloquente. Nestes poucos versos, ele faz referência, de forma enfática, três vezes ao ato de lembrar; aliás, a consciência da relevância de sua missão é tal que deseja, mesmo após sua morte, continuar contribuindo com eles. Jesus, o maior mestre e inspirador, tem consciência que seu ensino necessita ser lembrado.
Esta é a grande realização pedagógica do Espírito Santo, ele ensina nos lembrando (João 14:26). Educar é compartilhar com Espírito o “ministério da lembrança”. Lembrar, obviamente, não é um mero exercício de memoria, mas uma nova compreensão que implica em despertar o conhecimento adormecido para que ilumine um novo momento da vida. É trazer a memória o que pode dar esperança (Lam 3:21). Rendido às evidências, encontro motivação genuína já que educar até pode ter um objetivo modesto, mas, certamente, é glorioso.
Reverendo Israel Sifoleli
Se os desafios externos são imensos, os internos não são menores: falta apoio, incentivo e reconhecimento aos professores; sobram, porém, críticas e cobranças. Nem é bom falar que muitos alunos exigem educação de qualidade, mas não têm o mínimo de compromisso... também escolas bíblicas são gratuitas e não reprovam mesmo (ou reprovam?).
Se não bastasse este diagnóstico (e olha que sou obrigado a ser superficial), há um aspecto que tem me incomodado. Atualmente, o verbo lembrar (recordar) tem saltado aos meus olhos em minhas leituras das Escrituras e aumentado minha crise com a educação. Crise justificada porque sou tentado a buscar na relevância e reconhecimento a dose de motivação para seguir em frente. Como educador, encontrava na informação e transmissão uma rara âncora de motivação. No entanto, para meu desespero, começo a perceber que nossa grande tarefa e motivação não estão nisso, temos uma tarefa bem mais modesta: lembrar nossos “alunos” o que já sabem. Talvez, isto nos lembre da pedagogia de Sócrates, o sábio que rejeitou a ideia de que ensinar seja um encher as mentes como se fossem depósitos.
Na realidade, educar é mediar o conhecimento, é fazer aflorar o que está encoberto. É assim que Moisés interpreta a pedagogia do deserto (cf. Dt. 8: 2,11,14,18,19) . Por isso também, Paulo não se importava de escrever sempre as mesmas coisas (Fp. 3:1) já que era segurança para seus discípulos. Pedro, em sua segunda carta (1:12-15) evidencia isto de forma eloquente. Nestes poucos versos, ele faz referência, de forma enfática, três vezes ao ato de lembrar; aliás, a consciência da relevância de sua missão é tal que deseja, mesmo após sua morte, continuar contribuindo com eles. Jesus, o maior mestre e inspirador, tem consciência que seu ensino necessita ser lembrado.
Esta é a grande realização pedagógica do Espírito Santo, ele ensina nos lembrando (João 14:26). Educar é compartilhar com Espírito o “ministério da lembrança”. Lembrar, obviamente, não é um mero exercício de memoria, mas uma nova compreensão que implica em despertar o conhecimento adormecido para que ilumine um novo momento da vida. É trazer a memória o que pode dar esperança (Lam 3:21). Rendido às evidências, encontro motivação genuína já que educar até pode ter um objetivo modesto, mas, certamente, é glorioso.
Reverendo Israel Sifoleli

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